sábado, 26 de outubro de 2013

Relato de um agosto que não terminou



Eu não sei exatamente por onde começar… porque, no fundo, eu nunca parei de escrever sobre nós dois.
Tantas cartas escritas que eu sei que nunca foram lidas, palavras que talvez nunca chegaram até você.

E sempre que penso em ti, na gente, minha mente volta assim, sem pedir licença, mais uma vez, para o dia 16 de agosto de 2011.

É estranho como, entre tantas ruas, rostos e caminhos que eu conhecia e fazia todos os dias, foi justamente você quem mudou tudo em mim — e sem fazer esforço. Você chegou… e ficou, e  nada mais foi igual depois disso, mesmo quando tudo fingiu ser. 

Eu nem percebi o instante exato   em que comecei a ser sua. Porque você me ganhou assim: com esse jeito distraído, tímido e um sorriso leve, quase sem querer. Mas tinha algo dentro de mim que já sabia… eu ainda me perderia em você.

Eu lembro de você como se estivesse acontecendo agora: camisa verde, jeans desgastado, óculos de sol… e esse teu jeito tímido, quase perdido, como quem ainda não fazia ideia de que ia mudar a vida de alguém.

Eu ainda me lembro daquela minha versão: da camisa rosa, do cabelo preso em um rabo de cavalo, do meu cheiro tão simples e tão menina… , recém completado 15 anos, pequena demais para o que aquele momento ia se tornar. Eu ainda era inteira, mas isso durou pouco depois de você.  

Havia algo no ar. Um detalhe simples que o tempo nunca conseguiu explicar direito.  Algo de menta que se misturava — talvez só memória inventando desculpa para não te soltar. Mas ficou. Do mesmo jeito que você ficou.  

Eu nunca vou esquecer teu sorriso naquele momento, quando eu, sem pensar direito, criei coragem e pedi teu número. Você parecia não acreditar. E eu também não.  foi rápido demais para ser importante… e importante demais para ser esquecido.  

Mas, mesmo assim, meu coração batia forte, como se já soubesse quem era você. E talvez eu soubesse mesmo.

Porque depois disso tudo ganhou cor.

Nossas ligações… a gente se falava como quem descobria o mundo pela primeira vez. Era intenso, era mágico.  Havia planos simples demais para serem pequenos, sonhos grandes demais para caber na idade, e uma alegria que não precisava de justificativa. 

E eu gostava até do teu silêncio, porque, de alguma forma, parecia que ele também me entendia.

Mas hoje eu vejo que talvez a vida não devesse pra gente permanência. Talvez fosse só sobre sentir, amar, viver… e guardar a beleza da coincidência. Talvez tenha sido só um intervalo bonito entre duas pessoas que se reconheceram cedo demais. Talvez tenha sido só sentir, sem garantia de continuidade.  

Talvez não fosse para durar. Mas não foi em vão. Eu sei que não foi.

Porque tem coisa que não acaba. Tem sentimentos que não morrem… só mudam de lugar, e aprendem a existir assim, doendo mais baixo, existindo escondidos em algum lugar do peito, virando parte do que eu sou, do que ainda mora em mim.

E mesmo depois de tudo, eu ainda volto. Sem querer. Sem defesa. Volto para aquele 16 de agosto. 

Eu volto pra você, praquele dia, pra primeira vez que olhei pra você, sem saber que já era tarde demais para não sentir.

E depois me lembro das ruas frias daquele mês de maio, do dia em que precisei te deixar ir, e de tudo que ficou vazio sem você. Mas, no fundo, eu nunca aprendi a te soltar— apenas aprendi a continuar apesar de você. 

E sempre que preciso, eu volto praquele dia. Pra quando tudo começou — sem promessa, sem cobrança — apenas o acontecimento. 

Meu eterno menino, a mais bonita página que o tempo me permitiu escrever. 

6 de maio levou teu caminho…
mas agosto, em mim, nunca teve fim.



by: Drika 

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