sábado, 5 de abril de 2025

Corações Invencíveis - 2 temporada




capitulo 6: O Amor Sob Ataque ( parte 9)  


Mesmo com a tentativa de Helena em tranquilizar Otávio, ele continuava profundamente preocupado. Ela jamais omitiu seu passado dele, tampouco a história com Renato, seu antigo amor. Helena queria construir uma relação saudável — e, para ela, a base de qualquer relação saudável era a confiança, principalmente a ausência de mentiras entre os dois. 
Otávio estava sentado na cama, o corpo curvado para frente. Sobre a mesa do quarto, algumas apostilas abertas, o notebook desligado, tudo abandonado. Seu olhar vazio vagava pelo ambiente, como se buscasse um ponto de equilíbrio — algo que explicasse a dor que sentia, o medo e a angústia que apertavam seu peito sem piedade. 
Pensava nas palavras de Ana Beatriz e se ela realmente tivesse falando a verdade ? e não fosse apenas mais uma fofoca maldosa, e Helena estivesse gravida, talvez omitiu por medo, vergonha.
 Pensar nisso fazia seu estômago revirar, o coração bater pesado demais. Sem perceber, Ana Beatriz estava conseguindo exatamente o que queria: plantar uma pequena, porém perigosa, semente de insegurança e desconfiança no relacionamento de Otávio.
Inês bateu na porta de Otávio, queria saber se o irmão estava mais tranquilo e se tinha conseguido falar com Helena. 
:_ Tavinho
:_ entra 
Inês fechou a porta com cuidado. Ao observar o irmão, percebeu como o rosto cansado contrastava com o desespero que ele tentava esconder. Os olhos estavam perdidos, o corpo tenso demais para quem dizia estar bem. 
:_ e então ? quero saber o que aconteceu
:_ ela me colocou que uma mulher tentou atropelar ela 
:_ que loucura tudo isso, espero que o seu Tadeu já tenha tomado as medidas necessárias
:_ é por isso que ela deveria voltar para cá e ficar comigo, do meu lado... eu ia cuidar dela e nada disso ia acontecer
Inês se comoveu. Desde Fabiana, Otávio não ficava tão apaixonado assim. Sentou-se ao lado do irmão e tocou de leve o rosto dele, num gesto de carinho e proteção. 
:_ eu sei que vocês se amam. e que você tem medo, Mas você sempre soube que a Helena não é o tipo de mulher que desiste dos próprios sonhos. 
:_ eu não consegui falar com ela sobre o que a Beatriz falou
O sorriso de Inês se fechou na hora. Ela o encarou, firme. 
:_ ainda bem né Otávio ? Helena passou por um susto muito grande , não é hora para isso 
:_ mas e se for verdade? se ela tiver esperando um filho meu ?
:_ ela iria te contar , principalmente com isso que aconteceu. olha, não vai incomoda-la por algo que aquela menina maldosa inventou 
:_ eu pensei que vocês tivessem feito as pazes
:_ eu tentei. Mas ela não cansa de aprontar, de tentar atrapalhar vocês. E você é meu irmão… e a Helena é mais que minha cunhada. É uma amiga, uma irmã pra mim. Mexer com vocês me machuca. 
Otávio sorriu orgulhoso, mas logo perguntou
:_ ela é irmã do Bruno, como será que vai ficar o namoro de vocês?
Inês abaixou o olhar. Sabia que não seria fácil conciliar tudo aquilo.
:_ o Bruno conhece a irmã que tem e ele sabe o quão ela tenta destruir seu namoro.  Ele sabe do que ela é capaz. Conhece a peça. Eu vou conversar com ele… talvez seja hora da Joane levá-la a um psicólogo. 
:_ hum e ele não veio te ver , pq ? vocês não parecem estar bem desde que começaram a namorar 
Inês desviou o olhar. Não queria falar a verdade. Ainda não sabia como contaria aos pais que Bruno tinha uma filha com Gabriela — e alimentava a esperança silenciosa de que o exame de DNA desse negativo.
:_ estamos bem, olha já tá quase na hora de irmos e daqui a pouco o pai começa a nos chamar, vou só retocar a minha maquiagem e já vamos. 


Amália aproveitou o momento em que a filha saiu para trabalhar. Não estava satisfeita em apenas esperar que a justiça fizesse seu papel. Sabia o quanto tudo era lento — e o medo de que Vera tentasse novamente contra a vida de Helena lhe corroía o peito.
Determinada, reuniu algumas informações e pediu ao sogro que lhe emprestasse o motorista. Queria ter uma conversa com Vera. Clóvis relutou no início, mas compreendeu que o sentimento da nora era natural. No fundo, também desejava que Vera soubesse que Helena não estava sozinha no mundo. Ele se sentia impotente diante de tudo aquilo — e aquela visita era, de certa forma, um recado. 

A fachada envidraçada da Davilla Alencar refletia o sol da tarde com uma imponência quase fria. Amália respirou fundo antes de atravessar a porta giratória, sentindo o peso da decisão. Ao seu lado, Tadeu mantinha o semblante sério, atento a cada detalhe.
seu semblante era de decisão embora tentava manter a calma 
:_ boa tarde
Manuela , atrás do balcão, ergueu o olhar com a educação treinada de quem estava acostumada a lidar com clientes exigentes. 
:_ boa tarde, no que eu posso ajudar?
:_ eu quero falar com Vera Davilla 
:_ olha, no momento ela não encontra. mas eu posso te ajudar
Amália manteve a postura firme, as mãos entrelaçadas à frente do corpo.
:_ é um assunto pessoal e sério. 
: _ como é o nome da senhora ? posso estar anotando e assim que a dona Vera ela retorna o contato
Amália não hesitou:
:_Sou a mãe da garota contra quem ela atentou a vida. Será que agora ela pode me atender? 
Manuela hesitou por um segundo, surpresa com a firmeza e o peso das palavras. Em seguida, pegou o telefone e fez uma ligação rápida. 
:_ seu Leonardo, tem um casal aqui na recepção que precisa falar com a sua mãe e me parece ser algo urgente 
Poucos instantes depois, um homem surgiu pelo corredor lateral. Jovem, bem-vestido, elegante — o sorriso ensaiado contrastava com a tensão que se instalava no ambiente. 
:_ Manuela o que está acontecendo aqui ?
Amália não esperou que a jovem falasse e tomou a atenção para ela 
:_ somos pais da Helena dos Reis e queremos falar com Vera , será possível ? 
O nome pareceu ecoar no ar. Leonardo estreitou o olhar, percebendo que aquela visita não era casual.
:_ sou Leonardo Alencar, sou filho da vera. no que posso ajudar?
Amália sustentou o olhar dele, sem elevar a voz. 
:_ isso já nos foi informado , Leonardo. é muito conveniente não acha ?
: _ do que a senhora está dizendo ?
:_ Estou falando da minha filha, Helena. Você deve conhecê-la. Ela sofreu uma tentativa de atropelamento. 
Tadeu completava 
:_ E o caso já está sendo investigado 
Leonardo gelou, seus olhos arregalados não podiam acreditar nisso
:_ eu não tenho ideia do que isso pode dizer
:_ ah , você não sabe ? a sua mãe sabe muito bem o que significa
:_ isso é uma insinuação senhora ? espero que tenha provas
Tadeu não gostou da forma que Leonardo falou  
:_ o estacionamento tem câmeras, rapaz 
:_ olha , eu conheço a Helena , namoro com Pilar amiga dela 
:_ filha de Patrícia e Frederico ?
:_ isso mesmo , e por favor queiram me acompanhar até a sala ? 
Amália olhou para Tadeu e balançou a cabeça mostrando que sim poderiam entrar 
:_ Manuela peça que sirvam um café e um chá na minha sala , por favor. 


Enquanto Leonardo se afastava com Amália e Tadeu, alguns funcionários trocavam olhares e cochichos discretos, comentando em sussurros o pouco que haviam ouvido. A tensão havia se espalhado pela recepção. 
Já na sala, Leonardo puxou a cadeira e fez um gesto educado para que Amália se sentasse. Assim que ela se acomodou, foi direta:
:_ eu só aceitei falar com você, por que tenho muito estima pelos filhos de Frederico e da minha amiga Patrícia, e já ouvi muitas coisas boas ao seu respeito. 
Leonardo assentiu, visivelmente desconfortável.
:_ fico agradecido por isso. Sei que a situação é grave… e concordo que não era algo para ser tratado diante dos funcionários. 
:_ eu não tenho nada do que me envergonhar Leonardo, Pelo contrário. Lamento apenas que, segundo vocês, sua mãe não esteja. Minha conversa é com ela, não com você. 
Leonardo agradeceu o café, esperou a porta se fechar e então perguntou, tentando manter a calma: 
:_ eu que minha mãe teve um desentendimento com a Helena… mas por que os senhores têm tanta certeza de que foi ela quem atentou contra a sua filha? 
Amália inclinou levemente a cabeça, sustentando o olhar dele. Havia ironia contida em sua voz: 
:_ A não ser que sua mãe tenha uma irmã gêmea… ou um sósia circulando pela cidade. 
Tadeu, até então em silêncio, completou com sobriedade, sem elevar o tom
:_ O estacionamento onde tudo aconteceu possui sistema de monitoramento, Leonardo. As imagens já estão sendo analisadas.
Leonardo engoliu em seco. A segurança que tentava manter começava a ruir.
:_ eu lamento muito que isso tenha acontecido. Depois que minha mãe se envolveu com esse homem, tudo desandou. Ela não está bem… anda depressiva, instável. 
Amália não deixou que Leonardo continuava
:_ olha, nada justifica tentar contra a vida de uma menina. Da minha filha. Se ela não está bem, deveria procurar ajuda, se tratar. 
:_ eu não estou justificando senhora.  Pelo contrário. Sempre alertei minha mãe sobre esse homem. Não pense que estou confortável com essa situação… fui pego completamente de surpresa.
Amália apenas balançou a cabeça, em silêncio, enquanto ele prosseguia: 
:_ E espero que tudo isso seja resolvido da melhor forma possível, para todos. Essa exposição de hoje não era necessária. 
Tadeu então se manifestou, com a voz firme e controlada
:_ eu  não pretendo calar a minha filha se ela quiser falar. A melhor forma de resolver isso é sua mãe responder pelo que fez. E pode ter certeza de uma coisa: ela vai pagar. A Helena não é filha de pais assustados. 
 Leonardo estreitou o olhar. 
:_ isso é uma ameaça?
Amália percebeu que a conversa começava a sair do eixo e interveio imediatamente:
:_ De forma alguma. Meu marido não ameaça mulheres — nem mesmo alguém do nível da sua mãe. A diferença é que a Helena tem mãe.
Fez uma pausa breve encarando-o com dureza 
:_ E ainda bem que eu não a encontrei hoje, porque essa conversa teria sido de igual para igual. Quem age na covardia, tentando atropelar uma menina pelas costas, vai ter que se resolver comigo. 
:_ então a senhora tá ameaçando a minha mãe ? isso também é crime
:_ vão querer ser as vítimas agora ? rapaz , você tem filho ? não tem né
:_ não tenho, a minha mãe está errada eu sei. mas de forma alguma eu vou deixar que algum mal aconteça com ela 
Amália endireitou os ombros, a voz firme como aço 
:_ Então reze para que a justiça resolva isso. Porque a Helena tem mãe. E sua mãe não vai conseguir se esconder para sempre.
Encerrou, fria e direta 
:_ Tentar matar uma menina na traição é fácil. Difícil vai ser sustentar o que fez.



Antes de acabar o expediente, João foi até o shopping onde Helena trabalhava. Ela sentia uma gratidão profunda por ele — de certa forma, João havia salvado sua vida. Esteve ao seu lado no hospital, em casa, na delegacia. Havia entre eles um carinho genuíno, intensificado pelo modo como Helena o enxergava agora: quase como um herói. 
João caminhava sem pressa pelos corredores do shopping, com um sorriso confiante no rosto, o olhar sedutor e a expressão de alguém visivelmente apaixonado. 
Helena organizava algumas pendências da loja enquanto as outras meninas atendiam no caixa. Concentrada, não percebeu quando ele se aproximou. João parou ao seu lado e, com o mesmo sorriso encantador, falou em tom baixo 
:_ você é teimosa, mocinha. 
Helena sentiu um arrepio subir pela nuca. O coração acelerou sem aviso. Não entendeu de imediato aquela reação, mas se controlou. Apertou os lábios para conter um suspiro mais fundo e então sorriu. 
:_ João
Ele percebeu. Depois de tanto tempo, ela o chamara apenas pelo nome — não “professor João”. Seus olhos azuis brilharam. Que rosto bonito, pensou. Um rosto de anjo. 
:_ eu vim ver como você está
ela perguntou tentando ser cordial 
:_ veio no shopping só para isso ?
:_ não… na verdade, não. Vim buscar uma encomenda   e quis saber como você está 
Enquanto arrumava algumas roupas no cabide, Helena continuou a conversa 
:_ eu tô bem. Bem melhor. Um pouco mais calma depois da conversa com o doutor Figueroa… mas ainda tenho receio daquela maluca tentar alguma coisa.
João estendeu a mão e, com cuidado, acariciou o braço dela, deslizando as pontas dos dedos num gesto quase inconsciente.
:_ eu não acho que ela vá tentar mais nada, e se quiser posso te acompanhar todo dia se não for incomodar
O toque quente fez o coração de Helena acelerar ainda mais. Algo queimou em seu peito — um sentimento confuso, proibido. 
:_ eu agradeço João, mas eu não quero te atrapalhar ainda mais. estarei acompanhada das minhas amigas. 
Ela respirou fundo.
:_ Mesmo assim, eu precisava te dizer: você foi um anjo pra mim. 
João sentiu a mesma onda quente queimar seu corpo
:_ não precisa agradecer.  Eu faria quantas vezes fosse preciso. E farei, se for necessário. 
Um silêncio se instalou entre eles. Não era vazio — era carregado. Os olhares se prenderam por alguns segundos a mais do que deveriam.
 Maitê se aproximou de Helena, comentando algo sobre o trabalho. João pareceu despertar daquele momento e deu um passo atrás.
:_ bom meninas, eu vou indo. não quero atrapalhar vocês
Olhou novamente para Helena.
:_nos vemos na faculdade. 

Maitêconhecia Helena como ninguém. Bastou observar por alguns minutos para perceber que a amiga estava, sim, um pouco balançada por João. E ele nunca fez questão de esconder o quanto gostava dela — não era amizade, nem simples admiração. João gostava de Helena de verdade. E Maitê sabia que aquela proximidade podia facilmente virar confusão no coração já tão mexido da amiga. 
Ela se aproximou devagar, com cuidado, como quem pisa em terreno sensível.
:_ Heleninha
:_ oi Mai 
:_ amiga, tá tudo bem ? eu digo em relação ao professor João
:_ está sim. ele me surpreendeu positivamente com tudo que aconteceu ontem. 
Maitê inclinou levemente a cabeça, observando o rosto da amiga.
:_ Eu imagino. Ele foi incrível com você… e isso mexe mesmo. Ainda mais depois de um susto daqueles.
Helena assentiu, mexendo distraidamente em uma das peças da loja.
:_ eu estou muito grata a ele, é só isso. 
Maitê sorriu de canto, com aquele sorriso de quem conhece as entrelinhas.
:_ Eu sei. Só queria ter certeza de que você também sabe 
disse, com carinho, tocando de leve a mão da amiga.
:_ Você passou por muita coisa, é normal estar sensível 
Helena sustentou o olhar de Maitê por alguns segundos e, mesmo sem dizer mais nada, ambas entenderam: havia algo ali… pequeno, perigoso e ainda sem nome.


 Aoo dia, Bruno se arrumava para se encontrar com Inês. Ajustava a camisa diante do espelho quando Ana Beatriz, que passeava distraída pelos corredores da casa, pediu para entrar. Ele assentiu, sem muito entusiasmo. 
:_ o que tá fazendo ?
:_ vou me encontrar com Inês e você?
:_ não sei, eu acho que vou sair. me encontrar com a Nina talvez
:_ que legal, você tá precisando sair mesmo
Ana Beatriz respirou fundo, como quem ensaia as palavras.
:_ eu passei para te perguntar se você pode me dar o whatsapp da Gabi. Bom, ela sempre foi minha amiga e agora que é mãe da minha sobrinha, eu acho que a gente deveria ter contato.
Bruno lançou um olhar que tentou parecer indiferente, mas não conseguiu esconder o incômodo. A manhã ao lado de Gabriela ainda reverberava nele mais do que gostaria de admitir. Em silêncio, pegou a carteira, retirou um cartão e estendeu para a irmã.
:_ Tá aqui 
:_ você nem salvou o contato da mãe da minha sobrinha ?
Bruno fechou o semblante na hora. 
:_ pode parar tá Bia ? eu não tenho que falar sobre isso com você
:_ a Cecilia é minha sobrinha e eu quero estar presente na vida dela
:_ isso vai depender do resultado do dna Bia, agora da licença por favor. 
Ana Beatriz ficou parada por alguns segundos, sentindo o corte seco das palavras. Bruno voltou a se arrumar, deixando claro que a conversa havia terminado.

O portão da faculdade parecia maior naquela noite. Assim que deram os primeiros passos pelo campus, Helena sentiu os olhares. 
Não eram diretos — eram rápidos, disfarçados, curiosos demais para serem inocentes. Conversas cessavam no meio das frases. Celulares abaixavam às pressas. Sussurros surgiam e morriam logo depois, como sombras. 
Helena murmurou para Maitê, quase sem mover os lábios 
:_ eles estão me olhando
. A  bolsa pesava nos ombros, não pelo conteúdo, mas pelo que ela carregava por dentro.
Maitê apertou levemente o braço dela.
:_ não olha para eles amiga, ande comigo. 
Mas era impossível não sentir. Cada passo parecia ecoar mais alto do que devia. Helena sentiu o rosto aquecer, o peito apertar. A sensação era de estar exposta, como se a noite anterior tivesse sido arrancada dela e exibida ali, nos corredores.
Tentativa de atropelamento? Delegacia? Medida protetiva?
Ou apenas versões distorcidas, exageradas, cruéis?
O corredor principal ficou estreito demais. Um grupo de alunos parou ao vê-la passar. Uma menina cochichou algo no ouvido da outra. Um rapaz desviou o olhar, constrangido.
:_ eu tô com muita vergonha 
Maitê falou, apertando levemente seu braço.
:_ você não tem que se sentir assim, nada disso é sua culpa. 
Helena assentiu, engolindo em seco.
:_ Eu sei… mas parece que todo mundo tá me vendo como… como o que aconteceu comigo, não como quem eu sou.



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