sábado, 12 de abril de 2025

Corações Invencíveis - 2 temporada


capitulo 6: O Amor Sob Ataque ( parte 10)


Maitê estava na lanchonete da faculdade com o notebook aberto, um fone de ouvido em apenas uma das orelhas e um suco de maçã quase intacto ao lado. Mergulhada em suas pesquisas, não percebeu a aproximação de ninguém. 
Apenas sentiu uma presença se aproximando e ao virar-se viu a imagem de Luís Fernando, seu amigo, antes ,melhor amigo. 
 O rapaz que, por tantos anos, viveu silenciosamente dentro do seu coração, da sua mente e da sua alma — uma paixão guardada, nunca confessada. 
Ela piscou, surpresa, e sorriu de forma tímida. Um sorriso que fazia o rosto corar e os olhos castanhos parecerem ainda menores. 
:_ Oi Nando 
Fernando sorriu de volta, percebendo que ela estava distraída 
:_ desculpa não quis te assustar
:_ não me assustou, só estava focada em algumas coisas
:_ como você está ? 
:_ ah, eu estou bem e você ?
:_ também estou, vim deixar a Kate 
O brilho de Maitê diminuiu discretamente ao ouvir o nome de Catarina. Não apenas por ela ser a noiva de Fernando, mas porque já havia percebido algo que ninguém parecia enxergar — ou preferia ignorar. A falsidade, o cálculo frio por trás do sorriso perfeito. 
:_ ah sim 
:_ e eu queria saber como a Helena está, a Kate comentou comigo sobre o que aconteceu, ela não está com você?
:_Helena já entrou, o pessoal ficou olhando para ela fofocando baixinho, sabe como esse pessoal é 
:_ sim
:_ então ela preferiu entrar para a sala e deixar esses babacas falarem 
:_ fez certo
Fernando puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela, quase sem perceber o gesto. Ficou observando o rosto da amiga. Maitê sempre fora bonita, mas havia algo diferente naquela noite. Mais segura. Mais inteira. 
Os olhos castanhos contrastavam com os lábios bem desenhados. O cabelo loiro emoldurava o rosto delicado, quase como uma boneca — mas havia força ali, maturidade. 
ela o- olhava tentando entender qual sentimento sentia , se era apenas uma atração, uma paixão boba ou realmente se tudo que ela sempre sentiu era amor puro amor 
:_ Mai , você tá muito ocupada agora? 
:_ não, eu só tô finalizando uma pesquisa , você gostaria de falar comigo ?
:_ sim, se não for te incomodar
:_ claro que não Nando, você é meu amigo nunca incomoda
Fernando sentiu algo que não experimentava havia muito tempo. Não sabia explicar. Talvez fosse o jeito como Maitê parecia mais confiante. Ou o fato de o namoro dela com Gustavo claramente tê-la feito bem.
Pensou em perguntar sobre Renato. Sobre as suspeitas envolvendo Catarina. Mas engoliu a vontade. Seria invasivo. E, no fundo, sabia que aquilo também o machucaria.
:_ me conta... o que tem feito de bom, Nando ? 
Antes que ele pudesse responder, uma colega da turma se aproximou, chamando Maitê para resolver questões do baile de máscaras. Não queria incomodar Helena depois da noite passada. 



Depois de colocar Cecília para dormir, Gabriela foi até o próprio quarto. Vestiu um pijama leve, ligou o ventilador — o calor daquela noite parecia insistir em não dar trégua — e abriu a janela que dava para uma rua quase deserta. O silêncio era cortado apenas por um ou outro carro passando ao longe. 
    Pegou o celular sem muita expectativa, apenas para conferir se havia alguma mensagem importante. Foi então que notou uma mensagem de voz de um número até então desconhecido. 
Apertou o play e uma voz falava 
´´ oi Gabi, é a Bia que saudade de você ! eu peguei seu número com meu irmão. tô muito feliz que você tá de volta e ainda mais com uma sobrinha, me responde assim que puder.´´
 Gabriela fechou os olhos por alguns segundos. 
Ela e Beatriz sempre haviam sido muito amigas. E, no fundo, Gabriela alimentava a esperança de que Bia pudesse ajudá-la — não apenas a se reaproximar de Bruno, mas também a ser finalmente aceita pelos pais deles. Aquilo, inclusive,  uma promessa de Estevão. 
Ainda assim , algo não se encaixava 
A mudança repentina de Estevão era estranha demais. Ele nunca aceitara o namoro dela com Bruno, jamais. E agora… parecia colaborar? Oferecer ajuda? Facilitar caminhos?
Gabriela não era ingênua 
Sabia que, mais cedo ou mais tarde, Bruno descobriria tudo. E não fazia ideia de qual seria a reação dele quando a verdade viesse à tona. 
E, também, da própria covardia — a de não terem lutado com mais força para ficarem juntos quando ainda havia tempo.
Gabriela apoiou o celular no peito, sentindo o coração apertar. O ventilador girava, espalhando um vento morno pelo quarto, mas não era o calor que a incomodava.
Era o peso da omissão batendo á porta. 

Antes de dormir, Leonardo tentava entrar em contato com o irmão. Precisava avisá-lo sobre tudo o que estava acontecendo. Sabia que a atitude da mãe não tinha sido apenas errada — tinha sido criminosa. .Tentava mentir para si mesmo, repetindo que talvez tivesse sido um acidente, um impulso, um erro de cálculo. 
Mas não era, ela ainda atentado contra a vida de Helena. 
Sentia vergonha.
Raiva de Renato — e, de certa forma, o culpava por ter provocado aquela mudança na mãe.
Mas, acima de tudo, sentia medo.
Medo das consequências , Porque, apesar de tudo, ela ainda era sua mãe. Com erros, excessos e decisões impensáveis… mas era sua mãe. 
Sentado na poltrona do escritório, com o celular na mão, Leonardo deixou um recado de voz para o irmão. A voz saiu mais tensa do que gostaria
:_ A gente precisa conversar , É urgente. 
Vera ainda não havia retornado para casa. Aquilo o inquietava. 
O silêncio da residência parecia maior naquela noite. 
 Seu olhar pousou em um porta-retrato sobre a estante. Era uma foto da formatura dele. Vera estava ao seu lado, elegante, orgulhosa, impecável. Como sempre. Vaidosa. Forte. Intocável. 
Ele deu um sorriso involuntário ao lembrar daquele dia, murmurou para si mesmo 
:_ onde foi que tudo isso desandou ? 
 Fechou os olhos suspirou, sem resposta , sem  saber como iria agir e ainda não sabia se poderia contar com o apoio de seu irmão, o primeiro passo era procurar um advogado , sabia que aquela situação poderia afetar a empresa diretamente. 

Na casa da família Nunes, o assunto não saía da mesa. 
 Frederico estava visivelmente inquieto. Tinha sociedade em um projeto importante com os Alencar, e quando a notícia vazasse para a imprensa, a reputação da empresa poderia ser seriamente abalada.
Do outro lado da sala, Pilar insistia em defender Vera a qualquer custo. Patrícia tentava apaziguar a situação, mesmo concordando, em parte, com o marido.
:_ eu não sei como vamos continuar esse projeto com Vera Davilla 
Frederico passava a mão no cabelo 
:_  essa mulher perdeu completamente o juízo 
:_ pai, a Vera está passando por um momento ruim na vida dela, é totalmente compreensível
:_ não é compreensível ela tentar contra a vida de uma menina, não tem explicação ,Pilar.
Pilar retrucava 
:_ tem sim ! Ela está emocionalmente abalada. Eu tenho certeza absoluta de que não teve a intenção de machucar a Helena. 
Frederico balançou a cabeça, incrédulo. 
:_ além do mais, pai, não esqueça que a Vera é a minha sogra e eu devo apoia-la 
:_ ela seria sua sogra se você e o filho dela tivessem casados , não é o caso
Pilar murmurava 
:_ pai... 
:_ E outra coisa.  a gente não pode misturar questão pessoal com profissional, eu vou consultar um advogado em relação a isso  
:_ Vera é mãe do Leo e eu vou apoia-los !  a menina nem se quer se machucou 
Frederico a encarou com firmeza.
:_ essa menina é sua amiga , você se esqueceu ?
:_ não, mas o Leonardo é o homem que eu amo
:_ e além da sua amiga, é filha de Tadeu um grande amigo da família.  e madrinha do casamento do seu irmão 
Pilar perdeu o controle 
:_ É você quem está agora misturando pessoal com profissional ! Eu não tô nem aí pro Tadeu! E esse casamento do meu irmão com aquela nojenta  nem vai acontecer! 
Patrícia repreendeu a filha e pediu que ela se acalma-se
:_ Filha, amanhã seu pai vai consultar um advogado para entender até onde isso pode nos atingir. Você está certa em estar ao lado do Leonardo. Mas precisa se acalmar.
Pilar ficou em silêncio por alguns segundos, o choro entalado na garganta. Virou-se abruptamente e saiu da sala pisando firme, como uma criança contrariada. Não se despediu.
 O som da porta do quarto batendo ecoou pela casa.



Na manhã seguinte, Amália acordou cedo.
 Estar na casa de Assunção não lhe agradava. Sabia o quanto a convivência com ela era difícil — e como a sogra fazia questão de ser desagradável, sempre longe dos olhos de Tadeu.
Tomou um banho demorado, como se quisesse lavar o peso dos últimos dias. Depois, escolheu um dos vestidos de Helena — não havia levado roupas suficientes — e se arrumou com cuidado. O vestido longo valorizava sua postura elegante. Passou um perfume suave, com notas de rosas e lavanda. Queria estar impecável. 
Tadeu a convidara para irem juntos à casa de Patrícia e Frederico. Além da amizade, era necessário conversar.
Por volta das nove da manhã, Helena levantou. Encontrou a mãe já sentada à mesa, bonita como sempre, com o olhar acolhedor e atento.
Helena se aproximou, beijou o rosto da mãe e abraçou o pai.
:_ já acordou meu amor ? 
:_ já sim mamãe
:_ conseguiu descansar bem ? 
:_ consegui sim, ainda bem e por que minha mamãe tá pertinho de mim 
Amália sorriu fazendo carinho no cabelo da filha 
:_ e onde vocês vão tão bonitos assim ?
:_ seu pai me convidou para irmos na casa de Patrícia e Frederico 
Helena ficou em silêncio por alguns segundos enquanto servia o café. O clima mudou sutilmente. 
:_ mãe , queria te contar uma coisa 
:_ pode falar minha  linda
Helena respirou fundo.
:_ a Pilar filha da Patrícia , namora com o filho daquela mulher...
Amália fingiu surpresa embora soubesse dessa informação
Tadeu interveio, ponderado: 
:_  Mas tenho certeza de que isso não vai interferir na nossa amizade com eles. O Frederico é um homem muito centrado. Vai saber avaliar bem o tipo de pessoa com quem a filha está envolvida.
Helena assentiu devagar. 
:_ o tio Fred é realmente muito coerente.. Mas, papai, eu não acho que o Leo tenha culpa disso. Ele não tem a mesma índole da mãe. É um bom rapaz. 
Fez uma pausa antes de completar
:_ E eu sei o quanto a Pili está apaixonada
 
Amália sorriu e trocou um olhar silencioso com o marido. Bastaram poucos segundos para que Tadeu entendesse: ela havia percebido. 
Ela conhecia Helena  parecia entender Helena. ela sabia que a filha não defendia apenas Pilar mas o sentimento que dela por Leo, . Uma empatia contida,  mas existente. 
 Helena sempre buscou coerência. Sempre separou as ações das pessoas. Era amiga de Bruno, mesmo ele sendo irmão de Beatriz. Mantinha amizade com Pilar e com Leo, mesmo ele sendo filho de Vera. Nunca gostou de carregar culpas que não eram suas — nem de atribuí-las a quem não merecia. 
E Amália sabia também o quanto essa postura refletia na relação da filha com Otávio. Quantas vezes já haviam sido julgados por manterem o relacionamento apesar das circunstâncias, das diferenças, das opiniões alheias. 

Amália quebrou o silêncio, com a voz mais suave do que antes. 
:_Filha, hoje, depois que você for para a faculdade, seu pai e eu vamos retornar para a fazenda. Era para termos ido ontem mesmo, mas eu quis ver como você estava… se ainda precisava de mim. 
Helena sorriu, mas sentiu o peso escondido nas palavras da mãe. 
:_ eu sempre preciso de você, mamãe. Só não quero te dar preocupação… nem a você, nem ao papai.
Amália segurou o rosto da filha com carinho 
:_ como eu não vou me preocupar, se você é a joia mais preciosa desse mundo? 
Clóvis, que acompanhava a conversa com atenção, interferiu com a voz calma 
:_ vocês sabem que nossa casa está de portas abertas. Vocês são minha família também. Meu filho… e minha nora que nos deu esse presente abençoado que é a Helena. 
Tadeu sorriu, respeitoso 
:_ eu fico muito agradecido, pai. É sempre bom estar aqui com vocês. Mas a fazenda não pode ficar tanto tempo sem mim. 
Fez uma pausa antes de completar
:_ o ideal seria vocês voltarem para lá também. Eu cuidaria do senhor e da mãe… mas eu sei o quanto minha filha é geniosa.
Helena  riu, cruzando os braços. 
:_ filho de peixe, peixinho é. eu sou uma Monteiro dos Reis e a determinação tá no meu sangue 
Clóvis  sorriu com orgulho 
:_ Eu voltarei, meu filho. Assim que nossa Heleninha se formar… ou se casar. A fazenda nunca deixou de ser meu lar. 
olhou para a neta com ternura 
:_  E espero que você vá junto. Fique ao lado daquele rapaz que você tanto ama. 
Helena corou evemente 
:_ vovô 
:_ Que vocês se casem. E que Deus permita que eu conheça meus bisnetos.

O comentário arrancou sorrisos, mas também trouxe um silêncio carregado. 
Tadeu sentiu o peso daquela conversa. Não podia ignorar que o pai já não era jovem. Clóvis parecia mais cansado nos últimos tempos. E o casamento com Assunção estava se desfazendo aos poucos — a vaidade, a amargura e o senso de superioridade dela corroíam o que ainda restava. 
Tadeu era filho único. 
 E, no fundo, desejava passar mais tempo ao lado do pai antes que o tempo decidisse por eles. 

Depois de um café da manhã em família, cheio de afeto e sentimentos não ditos, Helena foi se arrumar. Passaria na casa de Maitê antes do trabalho e ainda teria um longo dia pela frente — trabalho, faculdade e, como sempre, emoções demais para uma só rotina.



Em toda são Jorge o assunto que Tadeu e Amália tiveram que ir a capital já era assunto.
Na venda, na praça, na missa, na fila da padaria — ninguém falava de outra coisa.
_ será que Clóvis faleceu ?
_ será que a menina aprontou alguma coisa?
As especulações se espalhavam feito folhas secas em ventania. Cada boca acrescentava um detalhe, cada ouvido transformava em certeza.
Sentadas à sombra da varanda, Clotilde e Mercedes acompanhavam o movimento da rua enquanto, claro, comentavam.
Clotilde se inclinou, abaixando a voz como se aquilo impedisse o eco da maldade.
:_ ou o seu Clóvis partiu ou a menina filha deles , aprontou alguma.. 
Mercedes, acomodada na cadeira de palha, franziu a testa. 
:_ será verdade que a garota realmente tá grávida? 
Clotilde balançou a cabeça devagar, como quem gosta de alimentar a dúvida. 
:_ pode ser, claro que pode. A menina Gomes mesmo falou que ela não prestava. 
Mercedes fez um som de reprovação com a língua.
:_ Ah, mas também não podemos levar em conta a opinião de uma patricinha despeitada. Todo mundo sabe que ela queria, porque queria, o filho do Nelson… e ele não quis ela.
Clotilde arqueou a sobrancelha
:_ Onde tem fumaça tem fogo 
Mercedes suspirou 
:_ principalmente quando decidem atear 
As duas ficaram em silêncio por alguns segundos, observando a movimentação da rua. Mas o silêncio não era inocente — era apenas a pausa antes da próxima fofoca.


Naomi não estava na loja, e Yara aproveitou a ausência da gerente para tocar no assunto que estava entalado desde a noite anterior. 
:_ respondeu a mensagem da sua ex cunhada ?
Gabriela abriu um sorriso quase imediato. Um sorriso sincero. a abriu um sorriso quase imediato. Um sorriso sincero.
Sabia que a amizade das duas era verdadeira. Havia carinho ali — anos de cumplicidade. E, no fim das contas, Bia era tia de Cecília. Isso sempre as ligaria de alguma forma. 
Mas, dentro dela, algo não encaixava, 
: _ eu fiquei muito feliz, Bia e eu sempre fomos melhores amigas. Agora que ela sabe da Cecília, eu acho muito importante mantermos a amizade. 
Yara assentiu com a cabeça , mas não deixou passar 
:_ mas ela hoje é amiga de Inês, né ? a atual namorada de Bruno
O nome pesou no ar. 
Yara era amiga de Gabriela. E por ser amiga , sempre tentava trazê-la para a realidade. Respeitava suas decisões, mesmo quando não entendia. As duas tinham histórias muito diferentes — e talvez por isso enxergassem as coisas de maneira tão distinta.  
Gabriela respirou fundo antes de responder .
:_ elas são amigas agora, mas não me lembro de antes elas sempre assim, eu sempre fui a melhor amiga da Bia e essa moça. 
Gabriela fez uma pausa antes de continuar e a voz embargada de raiva 
:_ E ela vai ter que entender que, além de amiga, eu sou mãe da sobrinha da Bia… e mãe da filha do Bruno. Isso nunca vai mudar. 
Yara percebeu o olhar de Gabriela mudando, sabia que a amiga ainda nutria sentimentos por Bruno e E Yara temia que esse sentimento pudesse cegá-la. Que Gabriela acabasse se envolvendo em algo maior do que imagina… ou pior, se perdesse em alguma rede de manipulação. 

Antes que pudesse responder, uma cliente se aproximou com uma sandália nas mãos.
:_ Moça, vocês teriam um desses no 36?
Yara forçou um sorriso profissional 
:_ claro. vou verificar para a senhora 



Enquanto aguardava Maitê voltar do almoço, Helena organizava algumas peças no estoque. Estava feliz — as vendas estavam de vento em popa. Carnaval brasileiro sempre movimentava a loja; as araras já estavam quase vazias.
Catarina estava no caixa, concentrada em passar as compras, quando não percebeu a presença de Renato se aproximando. 
Ele surgia diferente , inseguro com olhar abatido , semblante  cabisbaixo.  Sem aquele ar debochado e superior que sempre o acompanhava. 
Esperou o caixa esvaziar , Catarina estava no caixa, concentrada em passar as compras, quando não percebeu a presença de Renato se aproximando. 
:_ Renato ?
:_ oi Catarina 
A diferença era gritante. Meses antes, naquele mesmo shopping, ele havia sido debochado. Agora, a voz estava baixa. O semblante triste. O olhar… envergonhado. 
:_ a Helena ainda tá ai ?
Catarina respirou fundo.
:_ eu acho que ela não vai querer falar com você
:_ mas isso é uma coisa que ela tem que decidir
:_ Eu sei. Não estou decidindo por ela. Mas você já deve saber o que aconteceu… e que sua presença aqui não é bem-vinda. 
Renato engoliu seco 
:_ Eu sei o que aconteceu. E é justamente por isso que vim pessoalmente saber como ela está. 
Catarina soltou uma risada incrédula 
:_ Que ironia, Renato. Agora você preocupado? Acorda! Tudo o que está acontecendo é, direta ou indiretamente, culpa sua. Você deveria recolher sua insignificância e não aparecer aqui. 
Ele abaixou o olhar. 
No fundo, sabia que havia verdade ali. Se não tivesse se envolvido com Vera… talvez nada tivesse acontecido com Helena. Um efeito borboleta cruel. mas não deixaria ela dar-lhe lição de moral 
:_ eu não te devo satisfação Catarina, eu sei dos meus erros e não devo nada  a você
Catarina sorriu, irônica. Nem precisou responder. 
:_ hum 
e ele continuava
:_ Eu agi errado com Helena, sim. Mas isso é algo entre nós dois. Você não tem nada com isso.
:_ engano seu, Helena é minha amiga 
Renato riu — um riso curto, descrente. 
:_  Sua amiga? Ela é sua amiga porque não sabe a cobra que você é. A dissimulada que você é 
O rosto de Catarina endureceu 
:_  Você está chamando atenção, e eu estou no meu horário de trabalho. Se não quiser que eu chame o segurança, saia imediatamente. 
:_ Eu só saio quando Helena vier aqui e disser que não quer me ver. Eu respeito a decisão dela. 
Renato se colocou firme em frente ao caixa 
:_ Agora você, Catarina… não tem moral nenhuma para falar nada. Você sabe muito bem por quê.
:_ te dou um  minuto para cruzar aquela porta e ir embora
Renato inclinou a cabeça provocando  
:_ tem medo que eu fale a verdade?
A voz que surgiu atrás deles foi forme 
:_ que verdade seria essa?
Maitê havia acabado de retornar do almoço e tinha ouvido o suficiente. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário