quarta-feira, 22 de julho de 2026

Minha história de transição capilar




Olá, loveeers! Boa noite! Tudo bem com vocês? Eu tô bem, graças a Deus. 
Semana passada eu vi uma trend no Instagram para postar uma foto de um cabelo que você não tem mais. Aí fui olhar minha galeria e percebi que eu já tive tantos cabelos hahaha. Alguns eu nem tenho mais fotos, como o cabelo com mechas coloridas, o chanel, o long bob... Enfim, são tantas vidas! 
 Porque vocês sabem qual é o ditado, né? Quando uma mulher muda o cabelo, é porque ela está pronta para mudar de vida! 
E hoje vim compartilhar alguns dos cabelos que eu já tive nos últimos 16 anos. O texto vai ser grande porque vou navegar nessa nostalgia, mas espero que vocês gostem. 

Quem me acompanha há anos no blog sabe o quanto eu amo o meu cabelo. Porém, nem sempre foi assim. Na verdade, essa é uma história triste com a qual muitas meninas cacheadas e crespas vão se identificar, porque infelizmente já passaram pelo mesmo. 

Meu cabelo é naturalmente cacheado, com algumas partes crespas. Quando criança, eu lembro dele ter uma curvatura próxima do 4A: um cacho superfechado e muito volumoso. 
Eu nasci no final dos anos 90, numa época em que a moda era ter cabelos lisos, superalisados, do tipo 1A, no máximo 1B. Esse era o padrão de beleza da época. Todo o restante era chamado de "cabelo ruim" ou recebia outros termos ainda mais  pejorativos e preconceituosos. 



Além disso, no começo dos anos 2000, não existiam tantos produtos para cuidar de cabelos cacheados e crespos como existem hoje. Pelo contrário: foi a época em que as escovas progressivas — muitas delas com formol —, a escova japonesa e as famosas chapinhas estavam super em alta. Também era comum ver comerciais de pranchas alisadoras que tratavam o cabelo cacheado como se fosse um problema que precisava ser corrigido. 


EEu sempre sonhei em ter um cabelão igual ao das moças das novelas e das princesas. Mas, como faltava informação sobre como cuidar de um cabelo cacheado e crespo, o meu ficava muito volumoso. Somando isso aos comentários maldosos e preconceituosos que eu ouvia, comecei a detestar o meu cabelo natural.
Eu nunca usava ele solto. Vivia com o cabelo preso, usando presilhas, grampos e tiaras. E essa é uma história que muitas meninas conhecem, porque também passaram por isso. 

Foi quando eu tinha uns 10 ou 11 anos. Eu estava no mercado e vi um relaxamento capilar daqueles que a gente faz em casa, sabe? O famoso alisante. Eu não lembro se era o Maybell Issy ou o Hair Fly, mas era uma caixinha verde, pelo que me lembro.
 Eu tinha um aniversário para ir e consegui convencer minha mãe a deixar eu relaxar o cabelo. Fiz a soltura dos cachos com a ajuda de uma adulta. Infelizmente, eu não tenho mais fotos dessa época, mas lembro que achei meu cabelo tão bonito... Sem aquele volume que eu considerava excessivo e, pela primeira vez depois de anos, comecei a achar meu cabelo bonito.
Lembro que eu assistia à novela Viver a Vida e dizia que queria que meu cabelo fosse igual ao da Mia, personagem da Paloma Bernardi. Foi aí que eu peguei o hábito — ou melhor, o vício — de relaxar o cabelo, porque era a única forma que eu encontrava de me sentir bonita. O problema é que eu não entendia nada de cabelo e fazia química em excesso, sem os cuidados necessários. 

Em 2010 eu tinha um evento para ir e queria o cabelo completamente liso. Foi então que conheci o creme alisante Origem, que, inclusive, foi um dos melhores que já usei. Fiz o que na época era conhecido como escova japonesa, que consistia no relaxamento seguido da escova e da chapinha.
 eEssa foto é de 2010. Eu precisei restaurá-la porque a qualidade já estava bem ruim. E eu amava esse penteado: rabo de cavalo com a franja de lado. E esse vestido, então? Lindo de viver! Tenho muito carinho por essa foto. Durante anos ela foi minha foto de perfil do MSN. 
e eu tive que restara-la por que já estava com uma qualidade ruim 


Depois disso, eu comecei a ficar realmente viciada em relaxamento. Como eu falei, eu não tinha informação sobre como cuidar corretamente de um cabelo com química. Então, vivia fazendo procedimentos químicos e usando fontes de calor.
 A foto abaixo é de 2011. Nessa época eu já nem conseguia me imaginar de cabelo cacheado, porque o cabelo liso estava de fato  bonito e também era o que estava na moda.

Essa foto é do meu primeiro dia de aula e também precisou ser restaurada. Ela foi minha foto de perfil do Orkut por muito tempo e eu gosto muito dela. Mas, olhando hoje, dá para perceber como meu cabelo já estava bastante danificado. Ele já não tinha o mesmo brilho nem aquela cor bonita da foto anterior. Só que, naquela época, eu simplesmente não enxergava isso. 


Nessa foto aqui meu cabelo já estava bem grande e volumoso. Ainda era 2011, nas férias, e eu ainda não tinha retocado a química. 


2011 foi um ano muito especial para mim. Por motivos pessoais, foi um dos anos mais felizes da minha vida. Eu completei 15 anos e foi uma época em que eu me sentia viva, alegre e radiante.
 eEsse dia, em especial, foi muito marcante. A foto foi tirada uma semana depois do meu aniversário de 15 anos. Olhando para ela, dá para ver como eu estava com um brilho diferente. Meu cabelo estava liso, impecável, e eu estava muito feliz mesmo. Acho que isso transparece na foto.
Nessa época eu ainda usava o relaxamento Origem e adorava o resultado. 


No final daquele ano, meu cabelo já estava bem comprido, batendo nas costas, e eu queria mudar o visual. Eu estava vivendo uma fase importante da minha vida, me sentindo mais feminina e me permitindo explorar mais esse lado.
Naquela época estavam super na moda as mechas loiras, que eu chamava de balayage, e decidi fazer no meu cabelo. Porém, talvez esse tenha sido um dos meus maiores erros, porque, assim como aconteceu com o relaxamento, eu também fiquei viciada em fazer balayage.
Foi aí que comecei a misturar dois procedimentos químicos sem dar os cuidados que meu cabelo realmente precisava. Mesmo ele já dando sinais de que estava ficando danificado, eu continuava achando lindo.
 E um detalhe aleatório que me faz rir hoje: esse celular da foto era um Samsung Galaxy s  de uma amiga. 😂 O meu era um Nokia 7230, que eu amavaaaa! Mas meu sonho de consumo mesmo era o Nokia 7373 rosa. 


Em 2012, eu fazia relaxamento praticamente todos os meses e ainda clareava cada vez mais as minhas mechas. Tudo isso sem os cuidados que um cabelo com química realmente precisava.
Como consequência do uso excessivo de química, infelizmente eu passei por um corte químico. E isso mexeu muito com a minha autoestima.
Meu cabelo estava exatamente como sempre sonhei quando era criança: loiro (mesmo que pintado), liso e quase na cintura. De repente, ele ficou ralo, curto e muito fragilizado.
Eu precisei correr para o salão para tirar aquele loiro e tonalizar o cabelo. A cabeleireira até me aconselhou a voltar para a minha cor natural, mas eu sempre fui do extremo e resolvi pintar de preto petróleo.  
Essa é uma das únicas fotos que tenho dessa época, porque esse momento abalou demais a minha autoestima. Nessa foto meu cabelo já estava se recuperando, mas, mesmo depois de tudo e mesmo ouvindo os conselhos da profissional, eu ainda não conseguia abandonar o relaxamento capilar. 

Naquela fase, alguns comentários vindos de pessoas importantes para mim reforçavam inseguranças que eu já carregava. Hoje eu consigo enxergar isso de outra forma, mas naquela época cada palavra parecia confirmar que eu nunca seria bonita do jeito que eu era.


Em 2013 eu passei por uma situação muito dolorosa na minha vida pessoal, daquelas que não vale a pena contar nesta fase da minha vida. Na época eu estudava e fazia alguns freelas, então decidi manter o cabelo mais curtinho para a minha praticidade.

 O corte era em camadas e eu continuava apaixonada pela franja lateral, que já tinha virado a minha marca registrada. Mesmo assim, eu não abandonava o relaxamento nem o uso frequente de secador e chapinha.

Uma das químicas que mais me ajudou a recuperar a autoestima depois do primeiro corte químico foi o Toin, da AmaciHair. Inclusive, os melhores relaxantes que usei durante esse período foram o Sfera, o Origem e o AmaciHair.
Meu cabelo sofreu tantos danos não por causa desses produtos, mas pela minha falta de conhecimento sobre os cuidados que um cabelo quimicamente tratado exige. Eu misturava procedimentos químicos, usava fontes de calor com frequência e não fazia a manutenção que meu cabelo precisava. 

 Nessa foto eu estou sorrindo, mas só Deus sabe como eu estava por dentro. 



Aqui meu cabelo já estava mais curto. Eu queria um long bob repicado e também tinha mudado a cor do cabelo.
Essa é uma foto de que eu gosto muito, porque representa um momento importante da minha vida. Apesar de toda a tristeza que eu carregava naquele período, eu decidi que a minha vida precisava continuar e que eu precisava seguir em frente.
 Afinal, eu tinha só 17 anos, né? 


No final de 2013 e começo de 2014, meu cabelo já estava maior. Mas também dá para perceber o quanto ele estava ressecado e danificado. Nessa época ele ainda estava mais claro do que na foto anterior, porque eu tinha pintado novamente. 
 Essa é uma foto que dói muito em mim. Apesar de todo o esforço que eu estava fazendo para me reerguer, ainda existiam recaídas. Era um dia de cada vez. 🥺 Adolescência é uma fase que mexe muito com a gente, né? 



Em abril de 2014 aconteceu uma evolução muito grande na minha vida. Eu estava mais feliz e apaixonada. Dá para perceber pela foto, né? O sorriso não mente.
Mas, enquanto meu coração estava feliz, meu cabelo começava a me preocupar de verdade. Ele já estava bastante danificado e isso passou a me incomodar. 





Essa foto foi durante a Copa do Mundo de 2014. Nessa época meu cabelo já me incomodava muito por causa do volume, da porosidade e de todos os danos causados pelo excesso de química e de fontes de calor.
E um detalhe especial dessa fase: eu tinha comprado o meu primeiro Galaxy. Eu gostava tanto dele! Foi comprado com o dinheiro do meu primeiro estágio remunerado, então tinha um significado muito especial para mim. 


Em dezembro de 2014 eu passei por outro corte químico, e isso me causou muito sofrimento.
 Naquele momento eu já sabia que precisava parar de fazer química, mas me sentia completamente refém dela. 💔 


Chegamos em 2015. Eu tinha acabado de alisar o cabelo para o Ano-Novo e também tinha cortado. E vou confessar: esse é um dos cabelos de que eu mais sinto saudade. Eu acho que combinava muito comigo.
Ele estava liso, pretinho, curtinho... e eu simplesmente amava! Era um cabelo prático de cuidar e eu me sentia muito segura com ele.
 E essa capinha de celular? Eu mesma fiz de EVA hahaha. E, por favor, foquem também na minha unha filha única, porque ela era um acontecimento naquela época. 😂 


Esse é, sem dúvidas, um dos cabelos que mais me traz nostalgia. Eu me sentia bonita com ele. E sim, gente... ainda era alisado. 



Porém, com o passar do tempo, percebi novamente que minha raiz ficava muito volumosa, meu cabelo já não tinha mais o movimento e o brilho de antes, e eu não conseguia ficar sem fazer escova e chapinha. Isso acabava me incomodando, porque não era nada prático para a rotina que eu queria ter." 


Em junho de 2015 aconteceu uma coisa muito importante: foi a primeira vez, em cinco anos, que eu me permiti ficar sem alisar o cabelo. Foi a minha primeira tentativa de fazer a transição capilar.
 Olhando essa foto hoje, dá para ver como meu cabelo estava fino e, mesmo assim, ainda era ondulado. Isso porque o relaxamento nunca alisava 100% o meu cabelo. Por isso eu sentia tanta necessidade de usar secador e chapinha. 


Depois de três meses sem química, meu cabelo estava assim. Eu, particularmente, achava esse corte lindo. As camadas deixavam o cabelo leve e eu gostava muito dele justamente porque não tinha tanto volume. Além disso, eu já conseguia perceber que meu cabelo estava começando a se recuperar de tantos anos de danos. 


Mas, infelizmente, no final daquele ano eu voltei a usar o relaxamento.
 Esse era o meu cabelo com o relaxamento, finalizado com secador. Ai, gente... eu acho que esse também foi um dos cabelos mais bonitos que eu já tive. Mas a verdade é que eu recaí e acabei desistindo da minha primeira tentativa de transição capilar.



E a história continua...

De 2016 até 2020 aconteceram muitas mudanças, mas isso fica para o próximo post, porque esse já ficou grande o suficiente. 😉❤️ 






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